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COLUNAS - EPÍSTOLAS DO BARRIL

O Resgate dos Episódios Perdidos - Entrevista

Por Marcelo

Não é de hoje que os fãs de CH vivem às turras com o SBT. Seja por conta de, inexplicavelmente, deixar de exibir Chaves ou Chapolin, seja por não respeitar os fãs, mudando os horários dos programas a todo o momento, sem prévio aviso, ou ainda por esconder no fundo do Baú da Felicidade vários episódios dos dois seriados, que se tornaram raros com o tempo.

Com esse pensamento que o fã Eduardo Gouveia, 23 anos, morador de Niterói, uniu forças com outros "órfãos" e resolveu lançar uma campanha para cobrar do SBT a exibição de vários episódios, que já são lendários e chamados de “episódios perdidos”. O Movimento Volta Perdidos pode ser visto no YouTube, divido em cinco partes. Os vídeos são um manifesto que tenta provar por A + B que o SBT não passa vários episódios por pura má vontade – teoria com a qual eu também concordo.

Ao saber da existência desse manifesto – obrigado ao fã Marcus Vinícius pela dica! – fui atrás do idealizador. Eduardo Gouveia conta sobre essa iniciativa e deixa a mensagem: Yes, we can!

Turma do Chaves - Como surgiu a idéia de fazer esse movimento pela exibição de episódios? Quando ele foi feito?
Eduardo - Na verdade, a idéia inicial não foi minha. O fã Alisson Cassani teve a idéia de fazermos algo em prol dos episódios denominados perdidos. Como já era comum esse tipo de tópico nos fóruns nos quais eu estava de moderador, dei a ele mais ou menos quinze dias para me apresentar algo real que pudesse ser levado a cabo. Inclusive, me propus a tomar a frente do movimento caso isso ocorresse, caso contrário, seria só mais um tópico a ser fechado e deletado. Em menos de uma semana, ele me apareceu com a idéia de recorrermos ao programa “Pânico na TV!”. Era o que eu precisava para dar continuidade a tudo isso e decidi que faria o mais breve possível, um pequeno vídeo explicando a história dos perdidos. Foi aí que, uns dois dias depois que tive a idéia do vídeo. Às sete da manhã, sentei em frente ao PC e, de lá não saí enquanto o vídeo não ficou pronto. Foram exatas 20 horas de trabalho e, o que era para ser um vídeo curto, se transformou em um documentário de mais de quarenta minutos, que pode ser conferido na íntegra no Youtube, além de dois trechos dele, que divulguei antes de postar o vídeo na íntegra, dividido em cinco partes de aproximadamente 10 minutos cada. Isso foi realizado nos dias 24 e 25 de Fevereiro.

Turma do Chaves - Como você acha que isso pode influenciar efetivamente a exibição dos episódios do Chaves e Chapolin?
Eduardo - Penso em levar esse Movimento para a imprensa em geral. O que trava até o momento, é que o site oficial sobre o Movimento que está para estrear, está pronto, mas com pequenos defeitos (Nota: Recentemente, o site ficou pronto e está no ar. É o www.voltaperdidosch.com). Eu creio que se o site já estivesse no ar há pelo menos um mês, as coisas já poderiam ter sido diferentes, uma vez que a imprensa já poderia ter levado isso à frente com força. Estou com uma proposta da Folha de S. Paulo nas mãos para uma matéria, já que um fã faz parte de uma das seções da mesma e seu redator está interessado no assunto. Apenas não sabe como transformar o assunto em uma matéria. Creio que com o site sendo uma coisa concreta, teremos elementos suficientes aí para fazermos não uma, mas várias matérias em vários locais, como a publicada há um mês e meio pelo "Portal OhaYO!". O ex-presidente do Fã-Clube CHESPIRITO-Brasil® também se propôs a colaborar, porém, deve estar esperando algo mais concreto como o site.

Turma do Chaves - Como vem sendo a divulgação desse trabalho?
Eduardo - No início – leia-se, quando o vídeo ficou pronto – muitos se interessaram, mas no momento, até mesmo eu estou indo devagar nos alardes. Quero realmente dar ênfase a tudo isso quando o site estiver definitivamente no ar. Inclusive, o fã que trabalha na Folha, descobriu recentemente o e-mail do apresentador Sílvio Santos. Pedi que ninguém ainda enviasse mensagem e eu também não enviei. Quero fazer isso também quando o site estiver no ar. No início também, procurei alguns veículos de comunicação para falar do assunto, mas não obtive respostas. Essa busca foi por e-mail, porém, a hora em que o site estiver no ar, intensificarei essa busca, utilizando-me do telefone, pois acho algo mais concreto. E-mail é fácil descartar, mas não creio que irão bater o telefone na minha cara.

Turma do Chaves - Como vem sendo a repercussão desse movimento? O SBT demonstrou conhecê-lo?
Eduardo - Eu cheguei a enviar uma mensagem à assessoria de imprensa da emissora, mas não sei se leram a mensagem e, se leram, a ignoraram, pois mandei os link’s das matérias do “OhaYO!” e do “Portal do Chaves”, além dos que direcionavam às cinco partes do documentário. Porém, esse mesmo fã que trabalha na Folha, ligou para lá duas vezes. Na primeira, tentaram fazer o que fazem sempre: mostrar um falso entendimento no assunto a mais que o fã, e lhe disseram que tudo o que eles têm da série ai ao ar e o pouco que não vai era por motivos sérios. Chegaram a mencionar a suposta enchente de 1992. Ele postou a resposta obtida no fórum e, pedi-lhe que voltasse a ligar e lhe dei maiores detalhes sobre os perdidos para que ele mostrasse a eles que era fã de verdade e sacava os pormenores do assunto. Ele voltou a ligar e, dessa vez não conseguiram dar a volta por cima. E, acabaram lhe dizendo que iam passar as informações para o Departamento responsável. Pedi a ele que voltasse a ligar daqui a algum tempo. Agora, não quero mais dar paz ao SBT. Guerra é guerra, e eu já a declarei contra essa emissora.

Turma do Chaves - Ao longo da série de vídeos, você expôs vários dados de certa forma arriscados, sobre datas de últimas exibições de certos episódios. Onde você obteve esses dados? Você vem acompanhando os episódios de Chapolin (é sabido que o SBT vem desenterrando vários episódios nessas exibições) para ver se o SBT vem atendendo tais solicitações?
Eduardo - Essas datas, até onde sei, são precisas. Conforme, cheguei a dizer durante o resumo de "O Louco da Cabana", essas datas foram fornecidas pelo Leandro Lima – que assiste e anota dados das séries desde 1984, inclusive foi quem gravou e fez sobreviverem os episódios perdidos mais conhecidos – e publicadas nas inúmeras e maravilhosas colunas de Gustavo Berriel no "Site do Chaves", pertencente ao Fã-Clube. Inclusive, esses comentários das datas no documentário, foram inseridos propositalmente. Quero mostrar a todos que não somos pessoas lesadas que sentamos para assistir aos episódios, sem ter qualquer conhecimento sobre os mesmos. Com certeza, sabemos infinitamente mais que essa emissora, e eu quis deixar isso bem claro no documentário. Quanto à outra pergunta, hoje, eu tenho (FINALMENTE, depois de 17 anos assistindo – assisto desde 1992) todos os episódios que o SBT exibe, incluindo os perdidos em versão remasterizada, portanto, não mais as assisto ao vivo. Graças a Deus não dependo mais do SBT para assistir às séries. Eu acompanho as exibições nos fóruns, pois quando os acesso, a primeira coisa que faço, é ir aos tópicos de exibição e ver o episódio do dia. E afirmo: até agora, sem novidades. Tem reprisado, lógico, os estreantes de pouco tempo, ou seja, os episódios que começaram ou voltaram a passar de 2005 para cá, mas, após a exibição inesperada de “Os Sacos”, não houve novidades.

Turma do Chaves - Deixe um recado para os fãs de Chaves e, porque não, para o SBT.
Eduardo - Aos fãs, quero pedir que colaborem ativamente com o Movimento. O site está no ar e quero ver todo mundo se mexendo muito (vamos brincar de liquidificadores e não quero ver nenhum com defeito :-P ). Peço principalmente ao povão de São Paulo, caso contrário a conta telefônica fica astronômica, que ligue para o SBT sempre que puderem e não só para reclamar, e sim depois para pedir resultados. Vamos mostrar que realmente somos fãs e, unidos. E, para os fãs menos experientes, vejam o documentário na íntegra, para entenderem melhor a história que tanto nos atormenta e ajudem a divulgá-lo, assim como ao site. Para o SBT, o recado não poderia ser outro: apenas que finalmente, depois de mais de 25 anos que a emissora existe, ponham para ganhar salário, pessoas que saibam justificá-lo. Não há uma cabeça pensante por lá. Com toda sinceridade, não sei como o SBT ainda detém determinada audiência. Se dependesse dos cidadãos que figuram por lá, a emissora já teria falido há muito tempo. Como diria a personagem Chompiras (Beterraba / Chaveco), estão vivendo de milagre. Portanto, meu recado vai especialmente para as pessoas que cuidam da exibição e manuseio das fitas masters guardadas na organizada sala de fitas do SBT: mostrem que ainda têm salvação...

Mostrem que, pelo menos um miolo funciona na cabeça de vocês. Ponham Tico & Teco para funcionar uma vez na vida e vão catar as fitas que estão mofando por aí e ponham os episódios na escala de exibição.

Quero terminar, fazendo um agradecimento especial à equipe deste site maravilhoso e que está dando apoio ao Movimento. Abaixo, vocês terão os link’s do documentário e também o de um vídeo que se encontra também no Youtube, que mostra a sala de fitas do SBT para que tirem suas próprias conclusões. Beijos e abraços a todos!


Site do Movimento: www.voltaperdidosch.com – Visite o site e apóie o movimento no link "Lute por essa causa".