Turma do Chaves
"Não gostaria de ir a Disneylândia com o Polegar Vermelho?", Chapolin Colorado
COLUNAS - EPÍSTOLAS DO BARRIL

"Vamos à Acapulco?" Do meu quarto ao México em um clique na TV

Por Marcelo

Chaves e Dona Clotilde, a Bruxa do 71

Esse SBT sempre surpreendendo a gente. Há algumas semanas atrás meu relógio despertou às 06:30, como acontece todo dia. Levantei-me na maior má vontade do mundo para me arrumar para o trabalho. Não pensem mal de mim, gosto de trabalhar. Mas mesmo que fosse para receber o prêmio Nobel, acordar cedo seria um sacrifício, e além do mais, todos vocês sabem que não há trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar.

Pois bem, raramente ligo a televisão a essa hora da manhã. Já sou lento demais para me arrumar sem o auxílio desse tipo de distração. Mas calhou de nesse dia eu ir contra meus hábitos. Amigos, foi a melhor coisa que fiz. Era por volta de 07:00 e meu ânimo mudou ao ligar no SBT e constatar que estava passando Chaves àquela hora da manhã. Desde então começava meus dias com Chaves os terminava da mesma forma, pois, assim que chegava em casa, lá pelas 19:00, ligava a televisão e o que estava passando? Pois é, Chaves no começo e no fim de um estafante dia. Tudo bem que em uma hora são exibidos três episódios totalmente mutilados, em uma edição às vezes pouco cuidadosa, mas ainda assim divirto-me como se todos os dias fossem sextas-feiras à noite. No fim das contas, não deixa de ser uma maratona de Chaves, não é mesmo?

E para aquele desavisado de plantão que têm o hábito de passar a noite em claro, o menino que mora no oito também sai do seu barril às 05:30, mesmo morrendo de sono e cheio de remelas.

Bom, como Silvio Santos não é pai, e sim um padrasto dos mais cruéis, nossa alegria durou pouco. Pelo menos parte dela, pois liguei a televisão uma manhã dessas e surpreendi-me (desta vez negativamente) com a presença de um desenho, que nem fiz questão de assistir. Se eu não utilizasse a filosofia do seu Madruga, de sempre estampar um sorriso franco e espontâneo, teria passado meu dia de mau humor. Mas como a vingança nunca é plena, decidi passar o resto do dia sem descontar essa frustração em ninguém.

Aproveitando o gancho do assunto, e esse espaço preciosíssimo que me é concedido, gostaria de dividir com vocês algo que sempre sinto toda vez que vejo um episódio em especial. Tudo bem, pode parecer meio batido falar do clássico episódio de Acapulco, mas ainda assim vou falar. Talvez eu esteja sendo a voz de todos que sempre quiseram se expressar devidamente sobre este episódio e nunca tiveram chance. Até porque não vou falar sobre o episódio em si, todos sabem o que acontece nele. Vou falar sobre a minha relação com o mesmo.

Numa dessas sessões de Chaves às 19:00, recostei-me com um belo sanduíche e um copão de suco. Não era sanduíche de presunto nem suco de groselha com gosto de limão, mas ainda sim estava muito bom. Quando começou o programa e a voz do narrador (que é Marcelo Gastaldi, também dublador de Chaves e Chapolin) grave e preguiçosa, anunciou “Vamos a Acapulco..” fiquei feliz e tranqüilo, certo de que a próxima hora seria de entretenimento garantido.

Sabe quando você passa um dia no clube, ou as férias na praia? Daqueles momentos que são tão marcantes e positivos que quando terminam deixam uma ponta de saudade, que você tenta aplacar lembrando-se o máximo que pode de tudo que foi vivido e aproveitado? Tudo bem que durante toda a exibição de Chaves eu não saí do meu quarto, mas ainda assim eu tive toda a sensação de estar lá, no Acapulco Continental, curtindo os dias de piscina e praia junto com Chaves, Chiquinha, Seu Madruga e etc.

Acho que de dez pessoas que assistem àqueles episódios, onze sentem uma pontinha de tristeza quando todo o pessoal da vila está sentado na praia, em volta da fogueira, com a noite caindo enquanto Chaves canta o tema “Boa Noite Vizinhança”. Pois é, uma hora a festa tem que acabar e o salão voltará a ficar vazio. Por isso mesmo fiz o máximo para curtir como nunca aquela seqüência de episódios que marcaram bons anos da minha vida, e pelos quais tenho muito carinho. Quando o episódio termina, naturalmente me comporto como se tivesse voltado do clube, só que sem a boa companhia que tive durante todo o tempo. E esta foi a primeira vez que eu realmente prestei atenção na letra. Sempre a cantei inconscientemente, mas nunca tinha prestado 100% de atenção no que ela dizia. É uma letra que certamente cabe em algum momento na vida de cada um de nós, sobre momentos especiais, pessoas especiais, épocas especiais, que nunca mais voltarão e nos resta relembrar para matar a saudade. Sobre passar um tempo com os amigos até a noite cair, e verem juntos o sol nascer, mesmo que aquelas horas tenham parecido apenas minutos.

Acreditem vocês, porém, que existe um grupo de pessoas que se emociona muito mais com o desfecho daqueles episódios em Acapulco. Muito, muito mais do que qualquer um de nós. Seus nomes são Maria Antonieta, Carlos Villagrán, Florinda Meza, Edgar Vivar e Ruben Aguirre. Ah, e também um tal de Roberto.

PS: Ah, e se você tem dinheiro e quiser ir além da pura imaginação, segue o link com o Hotel Acapulco Continental. Repare que o quarto está rigorosamente igual ao que Seu Barriga e Chaves se hospedaram. E se você tiver dinheiro mesmo, mande-me um e-mail que vou para lá com você!