Turma do Chaves
"Não existe trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar", Seu Madruga
COLUNAS - EPÍSTOLAS DO BARRIL

É bom, mas poderia ser muito melhor...

Por Marcelo

Nos últimos anos temos presenciado o mesmo tipo de novela, literalmente, mexicana: O SBT tira o Chaves, põe o Chaves, tira o Chapolin, tira o Chaves, põe o Chaves, põe o Chapolin, tira o Chapolin... É basicamente sobre isso que temos comentado durante cerca de três ou quatro anos. Quando o SBT resolveu mexer na grade de programação e tirou o Chaves do seu horário cativo do almoço, muita gente reclamou. Eu já falei isso algumas vezes, mas não custa repetir: foi uma ótima estratégia para fazer o público dar mais valor ao Chaves. Muita gente como eu ou você, que gosta tanto de Chaves quanto de Chapolin, já não assistia mais como antes. Seja por falta de tempo, seja por outro motivo. O fato é que o Chaves estava sempre lá, fiel a nós, mesmo que nós nem sempre estivéssemos fiéis a ele.

E assim Silvio Santos foi conduzindo essa história. Tirava do ar, a gente reclamava, ele colocava no ar de novo. Apesar de esquecer do Chapolin e enterrá-lo um pouco mais fundo, o SBT sempre soube jogar com os fãs de Chaves, nunca nos "irritando" demais, mas também nunca nos deixando seguros o suficiente para o mês seguinte.

Então no começo desse ano surgiu o desenho do Chaves. "Putz..", pensei, "Era exatamente o que precisava para eternizar os personagens de Bolaños para as próximas gerações! Perfeito!".

Mas, amigos, eu realmente esperava mais. Se muita gente já não dava tanta bola para os episódios pois, como todos que não gostam dizem, "isso já passou um milhão de vezes", em que o desenho poderia acrescentar se é apenas um remake das mesmas coisas que vimos "um milhão de vezes"? A grande sacada de Bolaños foi também uma bola na trave (na minha opinião, claro). Porque usar as mesmas piadas, as mesmas histórias, quando o desenho animado abre as portas de um universo ilimitado, onde a idade inexiste e as leis da física são descartáveis?

Por falta de tempo eu não tenho visto com muita frequência o desenho animado do Chaves. Mas, nas vezes que consegui parar para assistir (com todo o prazer, apesar das críticas aqui contidas) não vejo uma, uminha história inédita. Ás vezes os episódios inserem elementos novos, fatos ou lugares diferentes ou mescla dois episódios do passado em um só, mas no geral, é só uma releitura do que já foi feito nos anos 70.

Eu só penso assim e escrevo essas linhas pois estou certo de que a criatividade e a genialidade de Roberto Gómez Bolaños é infinta, e não pode ser por falta de inspiração que ele não escreve uma série de desenhos com histórias totalmente inéditas. Se só por um segundo passasse pela minha cabeça que o criador do Chaves, Seu Madruga, Chapolin e tantos outros não tem mais a inventividade ou a inspiração para criar algo novo, eu estaria fazendo outra coisa, lendo, trabalhando, jogando videogame, sei lá.

Não há dúvidas de que o desenho do Chaves acrescentou muito ao personagens e tornou o universo de Bolaños mais palatável às crianças de hoje, mas e as crianças de ontem? Precisamos de algo novo, desafiador também.

Eu não pretendo dar respostas, só levantar questionamentos. Nos últimos anos, com exceção do desenho animado, Chaves e Chapolin mantiveram as chamas acesas graças a nós. Sites como Turma do Chaves, Chavesmaníaco, Vila do Chaves, o jogo "Street Chaves" e outras tantas coisas feitas por simples fãs é que estimulam o interesse das pessoas na série. Enquanto isso o SBT não dá valor ao programa "Chaves". Por outro lado, se preocupa muito com a marca "Chaves", fazendo promoções e ganhando dinheiro em cima do personagem. Até que não acho errado. Silvio Santos e os milhares de funcionários do SBT precisam comprar o leitinho das crianças também, mas é o tal negócio: "Venha a nós", legal. Agora, "o Vosso reino" coisa nenhuma.