"Não existe trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar", Seu Madruga
COLUNAS - EPÍSTOLAS DO BARRIL

Chaves em desenho: Que nota você dá?

Por Marcelo

Assim como eu, muitos de vocês dedicaram parte do primeiro dia do ano para conhecer “Chaves – desenho animado”, exibido também pelo SBT. Larguei a mesa do almoço (pois é, nesse dia almoçamos um pouco tarde) e fui para a televisão descobrir como era o tão esperado desenho da turma do Chaves, com a assinatura de seu criador.

O que vi nos trinta minutos que se seguiram foi um desenho bastante atual, com traços e cores modernos, em que nada lembra os anos setenta, quando grande parte da série foi gravada. Senti, claro, a ausência da Chiquinha, que faz falta em todo e qualquer enredo envolvendo “Chaves”, mas a presença mais constante do Nhonho suavizou um pouco o “buraco” deixado pela personagem de Maria Antonieta De Las Nieves. Quico está intenso, vibrante, e seu Madruga ganha, na versão desenho, mais atenção e destaque.

Sinceramente, se existia alguém na face da Terra que ainda não conhecia “Chaves” e assistiu o desenho, nunca pode imaginar de onde ele saiu e que ele é apenas a pontinha de um enorme e maravilhoso Iceberg.

As dublagens, feitas pelos dubladores originais (os ainda vivos, obviamente), ficaram muito boas, dando aquele ar “exagerado” que os desenhos pedem, o que não ficaria tão bem se fosse feito no seriado que estamos acostumados a ver. O dublador do Chaves, Tatá Guarnieri, emprestou uma voz mais infantil, com um jeito meio “engasgado” de falar, típico de muitas crianças com seus sete, oito anos de idade, o que caiu muito bem para o desenho.

Apesar de um formato todo novo e personagens com vigor de sobra para protagonizar novas histórias, a Televisa explora muito pouco a criatividade de Bolaños. Os episódios de “Chaves – Desenho Animado” repetem muitas piadas usadas no passado e, na maioria das vezes, episódios inteiros, com roteiros apenas transpostos do seriado original para o desenho. Confesso que esperava ver situações novas, inusitadas, coisas nunca vistas, mas o que vejo é o que já vi outrora, só que com uma roupagem nova. É um ótimo remake, mas ainda assim é um remake.

Talvez isso se deva ao fato de que o desenho esteja direcionado principalmente para as crianças de hoje, e não tanto para as crianças de ontem – nós. Ainda que haja certa falta de criatividade, o desenho do Chaves é um programa excelente, que provavelmente já faz parte da rotina de muitos de nós.

Como instrumento de divulgação da série, foi montada em um shopping de Brasília a “Vila do Chaves”, que mostrava pequenas réplicas da Vila e da sala de aula do Professor Giraffales. Em um terceiro ambiente as crianças podiam assistir a episódios do Chaves, extraídos dos DVD’s. A Vila do Chaves ficou por lá durante todo o mês de fevereiro, e o ingresso para a criança desfrutar do ambiente era um quilo de alimento não perecível. Uma ótima iniciativa, que pensa em crianças tão carentes como nosso amigo Chaves do 8. Queria eu poder sentar naquelas cadeirinhas e curtir vários episódios de uma vez só, mas meus 1,85 cm infelizmente não me permitem mais.

Bom, agora ficamos na torcida para que o desenho do Chaves não seja vítima das inconstâncias da grade do SBT, para que tenhamos mais um bom programa para as crianças e para nós, durante muito tempo. Estamos em abril, e por enquanto tudo bem...

Pra finalizar, eu pergunto à Televisa: E o desenho do Chapolin?