Turma do Chaves
"Não gostaria de ir a Disneylândia com o Polegar Vermelho?", Chapolin Colorado
COLUNAS - EPÍSTOLAS DO BARRIL

"Chaves - Foi Sem Querer Querendo?": Você já leu?

Por Marcelo

Confesso que quando tive o livro pela primeira vez em minhas mãos pensei: "Será que ele vai realmente acrescentar aos meus conhecimentos sobre a série ou será que é só um item para aqueles que têm simpatia ou gostam de 'Chaves' mas não conhecem muitos pormenores da série?".

Independente de como o conteúdo do livro soasse para mim, ele por si só já é motivo de comemoração. É muito louvável essa pequena "Maré Chavesmaníaca" que apareceu nos últimos meses, principalmente com o lançamento do DVD e do livro, que podemos tomar como uma recompensa à nossa admiração, persistência e orgulho de levantar a “Bandeira CH”, se deliciando com episódios já transmitidos incontáveis vezes e fazendo muito barulho quando eles saem do ar, até que eles voltem.

Comunidades relacionadas aos seriados Chaves e Chapolin brotam no Orkut, que se mostrou um terreno mais do que fértil para as manifestações dos milhares de fãs do Brasil todo. Não vi nenhum tema gerar tantas comunidades como o "Chaves", o "Chapolin" e seus personagens. Quem queria manifestar seu apreço e admiração publicamente e ainda não tinha encontrado um lugar propício, o Orkut foi um grande achado. Esperamos que o SBT reconheça essa grande manifestação pró-Chaves, e faça o que todos querem. Já começou, com a volta do Chapolin, ainda num singelo horário, apenas no sábado. Mas já é um bom avanço.

Bom, agora vamos ao livro. Os primeiros capítulos são realmente enriquecedores. Fruto de uma boa pesquisa entre alguns executivos do SBT à época da compra do seriado, o livro conta a história do Chaves no Brasil. Desde a primeira impressão de Silvio Santos e sua equipe ao verem o "piloto" até a popularização do seriado no país, passando por análises de grandes nomes do humor nacional, como Dedé Santana, Batoré e Geraldo Magela, o popular Ceguinho.

Os autores desfiam também a história do seriado em seu próprio país. Mergulham o leitor nas origens de "Chaves" e "Chapolin" e vão além do que já fora divulgado naquelas reportagens especiais do programa da Sônia Abrão no México. Relata como foi acontecendo a reunião do elenco, o crescimento do seriado, a fama, os conflitos e as saídas e retornos dos atores de uma forma bastante fácil e agradável de ler. Quando você percebe, está com saudade e contando as horas para assistir “Chaves” novamente.

Mas aos poucos o livro foi perdendo o caráter de novidade que vinha mostrando para mim, passando a ser mais interessante para aqueles que pouco ou nada conhecem sobre Chespirito e suas criações. Começa a simplesmente biografar os personagens, recontar diálogos, citar episódios e músicas. Coisas que vemos constantemente através da própria série, não apresentando nada novo. Isso não é necessariamente ruim, tanto que por algumas vezes me flagrei rindo copiosamente ao ler alguns diálogos "clássicos" de Chaves e Chapolin, mas para quem já tem uma maior intimidade com o seriado, esse trecho do livro muitas vezes não vai muito além do que várias páginas na internet já fazem.

Tinha visto algumas entrevistas com os autores, e estes citavam o último capítulo, o de curiosidades, como um dos pontos altos do livro, com detalhes de bastidores e outros fatos realmente inéditos e interessantes. Confesso que me decepcionei um pouco esse final. O capítulo aborda temas interessantes e introduz alguns fatos que se não fossem abordados apenas tão superficialmente seria realmente o melhor capítulo do livro, que abre temas bons, desperta a curiosidade do leitor mas muitas vezes quando o negócio realmente está ficando bom, o larga à deriva, com perguntas como "Tá... legal, mas e aí, o que aconteceu depois?".

Esses pormenores, porém, não tiram a qualidade e o brilhantismo da obra como um todo. Tenho consciência de que sou um pouco chato, e o livro foi feito para todos, e não apenas para os chatos. Recomendo a todos que confiram as páginas escritas por Luís Joly, Fernando Thuler e Paulo Franco, que fizeram um livro para quem conhece ou quem não conhece, mas sobretudo gosta de Chaves e Chapolin, com uma linguagem descompromissada, de fãs para fãs, não pretendendo parecer intelectuais ou “jornalistas premiados”, e sim estudantes apresentando uma bela e inspirada monografia, que resultou em um candidato a Best Seller. Através das páginas de “Chaves – Foi sem querer querendo?” podemos conhecer um pouco mais desse grande programa humorístico que conquistou a todos nós, fazendo uma gostosa viagem através do grandioso “Universo CH”, pelo qual todos somos apaixonados. Confira.

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