
Parte 1
Olá, amigos! Nesse momento estou sentado em frente ao computador, escrevendo este artigo, porém, não é isso que interessa no momento, e sim o que fiz horas atrás.
Eu tinha meio que um ritual na hora do almoço, onde pegava meu prato de comida, sentava no sofá (eu sei, um péssimo hábito, mas já é um hábito) ligava no SBT, e começava a assistir a dobradinha Chaves/Chapolin.
Eis que um belo dia meio ensolarado, mas que ameaçava uma chuvinha, liguei a televisão, já com o prato de comida a postos. Se não me engano era feijão, arroz, alguma carne, alface e batatas. Naquele começo de tarde eu estava me antecipando pra não perder nem a abertura de Chapolin. Sim, mesmo sendo tosquíssima eu gostava de ver a abertura. É como se eu estivesse entrando pela porta da frente na história, semelhante a pegar um ônibus interestadual da parada inicial, chegar na missa antes do começo ou até mesmo chegar à partida de futebol antes da entrada dos jogadores e juízes.
Me acomodei bem no sofá. Fiz a checagem geral. Prato? Ok. Comida no prato? Ok. Garfo? Ok. Travesseiros para recostar confortavelmente? Ok. Suco? Ok. Estava tudo indo conforme o esperado. Até aquele momento.
Era o horário combinado. Os desenhos chatos já tinham acabado, estava chegando a hora e já me preparava para a primeira garfada.
Então, como se eu estivesse sonhando, ou simplesmente tivessem mudado os horários de todos os relógios da minha casa, não apareceram aqueles soldadinhos de chumbo caindo como dominós à frente de cenas de “Chapolin” em vários episódios.
Apareceu outro programa!
O garfo caiu no prato novamente. Tinha perdido a fome.
Onde estava o Chapolin? Onde estava o Vermelhinho? Não queria ver aquela porcaria, poderia ser até um especial intitulado "Tudo sobre a gloriosa vida de Marcelo Barbosa Duarte Brandão" que eu não estaria preparado pra ver outra coisa que não fosse o Chapolin.
Como um tiro de misericórdia descobri trinta minutos depois que também tinham cancelado o Chaves da programação.
Porque o SBT tinha feito aquilo? É como se matassem a galinha dos ovos de ouro! Insultei com nomes impublicáv eis todos os responsáveis pelas programações do SBT, sobrou até pro Sílvio. Antes daquele episódio lamentável eu não tinha nada contra ele.
Ao longo da tarde eu ia clicando no canal do Homem do Baú vez ou outra para saber se tinham simplesmente trocado o horário, mas nada. Nem a sombra do Chespirito. A única coisa mexicana eram as intragáveis novelas, que se multiplicavam como ratos num esgoto.
A revolta não demorou pra estourar. Nos papos de sala de aula, nas rodas familiares e sobretudo na internet as pessoas demonstravam sua carência e de certa forma sua "viuvez" por terem perdido assim, de forma tão abrupta, os velhos amigos da hora do almoço.
Será que não davam mais audiência? Será que o fim de um contrato com a televisa não permitia que se transmitisse mais o seriado? As perguntas brotavam sem parar.
Até que as pessoas começaram a pensar: "E se for uma estratégia do SBT, para que as pessoas não enjoem ou não dêem mais tanta importância ao seriado?"
Chegava a ser uma boa teoria. Depois de um tempo a "Dupla CH" voltaria com energias renovadas. Seria interessante.
Inclusive, eu particularmente confesso que algumas vezes não podia ver os seriados, ou por algum outro motivo eu não os prestigiava. Mas sabia que com ou sem a minha presença, eles apareceriam.
Mesmo não assistindo, eu tinha certeza que eles estavam lá, e isso me deixava tranqüilo, me acalmava o coração.
Então o SBT tirou isso de mim. Fiquei com muita mágoa desse canal durante algum tempo.
Bom, apesar de tudo, minha rotina de almoço sentado no sofá continuou, porém sem o tempero principal. Assistia aos enlatados do SBT, que nunca chegarão ao pés de Chaves ou Chapolin, mas serviam. Misteriosamente passei a comer mais rápido...
Fim da parte 1