Turma do Chaves
Bobrinha
"Não existe trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar", Seu Madruga
COLUNAS - EPÍSTOLAS DO BARRIL

A Chiquinha gosta do Kiko? Será que não?

Por Marcelo

Certa vez, fazendo um dos "Vestibulares de Chaves" que existem na internet, deparei-me com uma questão que me deixou na dúvida, pois se tratava da relação entre o filho da D. Florinda e a filha do glorioso Madruga.

Ok, minha memória corre longe do aceitável, e faz cerca de 5 anos que fiz esse teste, mas lembro-me de ter marcado o item que dizia algo como "Ela gosta dele, e eles são muito amigos". Eu realmente não acho que eles sejam tão incrivelmente amigos assim, mas essa era a questão que mais se aproximava do que eu considerava verdadeiro.

Qual não foi a minha surpresa quando vi que tinha errado a questão e a resposta na verdade era algo semelhante a "A Chiquinha odeia o Kiko, e o acha um moleque estúpido" . Foi nesse exato momento que contestei a legitimidade do teste, simplesmente porque aquela questão ia contra um dos meus princípios básicos no que diz respeito ao seriado.

Para mim, a pedra fundamental sobre a qual o seriado é construído é a pureza, a inocência e a amizade. Quem não lembra da vez que o Chaves disse à Chiquinha, que ameaçava de bater no Kiko: "Olha, Chiquinha, o Kiko é meu amigo, e antes de bater nele, você vai ter que bater em mim..."? E da vez que o Kiko e a Chiquinha combinaram de brincar de casinha, animadíssimos, naquela tenda em frente à janela da casa dele?

Vocês, amigos fãs de Chaves, não concordam comigo que Chespirito nunca criaria dois personagens que se odiassem, principalmente no contexto do seriado "Chaves"? Poxa, até a D. Florinda tem seus momentos de respeito e carinho pelo Seu Madruga!

Eu, particularmente, adoro episódios como o do ano novo na casa do Seu Madruga e aquela seqüência do natal. Eles mostram exatamente o que o autor quer passar, que é uma Vila onde apesar dos vários antagonismos todos se gostam, se respeitam e confraternizam. Me vejo obrigado a citar D. Florinda no episódio dos churros, quando ela diz (com aquela vozinha de moça boazinha) ao Seu Madruga: "Dá gosto tê-lo como vizinho". Acho aquilo máximo!

Há muito que queria externar essa opinião. Acho que a mensagem básica do seriado nunca pode ser suprimida pelas atitudes que constituem a comédia de fácil absorção, que no caso são as boladas, tijoladas, cadeiradas, chutes e afins.

Já me despedindo, pergunto: Quem nunca foi criança e brigou com aquele melhor amigo por causa de um jogo de videogame ou futebol? Quem nunca bateu (ou apanhou) do irmão por um motivo insignificante? E quantas vezes vocês não agiram, alguns dias ou até mesmo horas depois, como se nada tivesse acontecido?

É isso aí, amigos, "Chaves" é basicamente um espelho do que somos ou do que fomos. Talvez seja por isso que tantos gostam tanto, não é verdade?