Sua voz pode ser ouvida tanto no desenho do Chaves, quanto nos Boxes da Amazonas Filmes. Nas animações, ele empresta sua voz para o personagem Nhonho. Já nos boxes, além de Edgar Vivar, o entrevistado também dubla com muita calma (para não evitar a fadiga) Raul Padilla, o carteiro Jaiminho.
Presidente do Fã-Clube Chespirito Brasil e responsável pelos roteiros das novas dublagens das séries “Chaves”, “Chapolin” e “Chespirito”, o jornalista Gustavo Berriel, 23 anos, concede entrevista exclusiva para o portal Turma do Chaves! Confira:
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| Berril: "Eu tenho a mesma sensação de sempre, sou mais um fã de Chaves " |
Qual é a sensação que você sente ao pensar que há dois anos atrás você era apenas mais um fã de Chaves e de repente você começou a se destacar, graças aos eventos do Fã-Clube, e em seguida transformando-se em dublador de dois personagens queridos como Jaiminho e Nhonho?
Eu tenho a mesma sensação de sempre, sou mais um fã de Chaves. E só isso já é uma ótima sensação. Os eventos foram uma conseqüência de eu gostar tanto e querer reunir os fãs, mas só são possíveis com uma equipe, várias pessoas ajudando. A dublagem é algo à parte, é um trabalho como qualquer outro, no qual me pagam pra eu fazer. Numa coincidência feliz e por ter corrido atrás disso, comecei dublando personagens que eu adoro.
Qual personagem e qual série você gostou mais de dublar? Jaiminho ou Nhonho? Desenho ou Box?
Não tem um que eu tenha gostado mais, adorei fazer tudo. Tenho mais carinho pelo Nhonho do desenho, pela maior importância e destaque desse personagem. Adorei dublar o Raúl Padilla nos DVD’s por poder brincar com a voz, fazer vários tipos e me soltar mais. Dublar o Jaiminho propriamente dito e o Nhonho foi um obstáculo maior, pela cobrança que vem junto com isso, os fãs querendo que minha voz fique 100% idêntica a dos antigos dubladores que já morreram. E claro que não é tarefa fácil substituir atores como Older Cazarré e Mário Villela nesses trabalhos consagrados. Mas encarei isso de frente e foi maravilhoso fazer. Quanto ao Nhonho em desenho animado, eu já não estou "substituindo" ninguém. Sou o único dublador do Nhonho em desenho e, apesar de me aproximar do Villela, quero fazer do meu jeito.
Falando em criticas, muitos fãs as fizeram ao ouvirem sua primeira voz como Nhonho nos Boxes, por conta justamente da não aproximação com o Mario. O que você achou disso? E por que o personagem não foi dublado como no desenho, uma coisa mais parecida com a original?
A minha primeira voz do Nhonho nos DVD’s (volume 2), naquele único episódio, foi praticamente um teste de dublagem. Foi a primeira vez que dublei e tudo ainda era como um "teste", com os diretores e o estúdio avaliando se eu realmente tinha condições de dublar. Minha preocupação voltou-se toda para a interpretação e a dublagem em si, a sincronia e minha capacidade de fazer, deixando de lado a imitação da voz do Villela, o que poderia me prejudicar no "teste". Felizmente, gostaram e ganhei o personagem. Quando o Nhonho aparecer de novo (é uma pena que só tenha aparecido nesse único episódio até o quinto Box), do sexto Box em diante, já estou usando a minha nova voz! Aceito numa boa as críticas a essa primeira voz, mas é bom lembrar que até o Gastaldi começou errando, com aquela voz agudíssima para o Chaves. O bom é a gente poder aprimorar e melhorar sempre.
Como aconteceu o contato com o Fã-Clube por parte da Amazonas Filmes para que vocês fossem responsáveis pelas adaptações dos textos?
O Paulo Duarte, responsável pelo projeto, me ligou e pediu minha ajuda para indicar os dubladores antigos e para conferir os textos para que os bordões e frases características consagradas não se perdessem na nova tradução. Eu resolvi não fazer as coisas sozinho e sim junto com o Fã-Clube, que passaria então a apoiar o projeto.
Você também participou da construção do livro “Chaves de um sucesso” de Pablo Kaschner. Como foi sua participação nesse projeto e como você conheceu o autor?
Conheci o Pablo nos eventos “Chavesmania” e de cara vi que ele era um fã de verdade. Ele já me falava da monografia dele sobre Chaves, vendia camisas do Seu Madruga e vestia a roupa do Chapolin. A gente mantinha contato e ele me chamou pra assistir à defesa da monografia dele na UFRJ. Eu fui e ele mandou muito bem, convenceu a academia. Depois disso, ele transformou a monografia em livro e eu ajudei como pude, tirando várias dúvidas que ele tinha. Trocamos vários e-mails e telefonemas sobre grande parte do material que entrou no livro. Eu ajudei porque acompanhei todo o esforço dele desde o início e ele mereceu.
Qual sua avaliação sobre a situação de Chaves na televisão atualmente? Fontes afirmam que o SBT obtém cerca de 100 episódios em espanhol, vindos do contrato assinado em 2005 com a Televisa. Se por ventura esses episódios viessem a ser dublados, você participaria do projeto? Qual sua opinião sobre o assunto?
É difícil falar sobre a situação do Chaves atualmente, porque assim que a gente acabar essa entrevista já pode ter acontecido alguma alteração de última hora na programação! Eu acho que tudo pode acontecer, pode sair do ar, mudar de horário a qualquer momento. E essa incerteza não é legal para o fã. Que dá audiência, não é novidade, sempre deu. Chaves continua sendo um fenômeno da televisão. Só que não há garantia de nada e desses contratos a gente não sabe nada com maiores detalhes. Se tiver episódio novo pra dublar, claro que eu tô dentro!
Entrevista realizada em: Abril de 2007
Reportagem: Mauricio Trilha