Dia 28 de Setembro de 2006, era uma quinta-feira aparentemente normal para o estudante de direito Gustavo Melo, 20 anos, de São Paulo, capital.
Neste dia ele tinha prova de direito civil na faculdade, um obstáculo costumeiro para qualquer estudante dedicado, mas quando estava saindo da porta em direção ao ponto do ônibus, seu dia começou a ficar estranho. Mal ele sabia que estes estranhamentos eram resultado de um e-mail que ele havia mandado para o programa “Domingo Legal”, pedindo para participar do quadro “Dormindo Legal” onde, se fosse o vencedor, seria contemplado com um quarto temático da Vila do Chaves.
Ele ganhou a promoção. E você vai saber com detalhes toda a história e o processo de construção do quarto, contada por seu próprio dono, o felizardo Gustavo, conhecido no chamado "Meio CH" como “Nightmare”
Como você conheceu a promoção e quando decidiu participar?
Não sou muito fã do Gugu, nem assisto o seu programa, mas tem dias em que você está sem nada para ver na televisão e começa a passar os canais, decidi parar em um canal, parei justamente no SBT, quando o Gugu estava anunciando um novo quadro, o “Dormingo Legal”. Na hora em que vi me veio um sinal e pensei: “Por que não? Nunca ganhei nada!” corri para o computador na mesma hora, expulsei meu irmão que estava usando-o e mandei um e-mail para o site do programa, além de contar minha história como fã, procurei falar bastante sobre a importância de Chaves para programação do SBT.
Você vê as séries de Chespirito há quanto tempo? Qual sua preferida?
Nossa, desde os meus 4 anos de idade eu me lembro que via Chaves. Mas minha mãe diz que eu via até muito antes, ainda no berço eu adorava ficar em frente a televisão vendo as séries de Chespirito. Não tenho um preferido, sinceramente sou daqueles caras que gosta de todo o conjunto da obra. A qualidade dos textos de Bolaños me encanta, me fascinam, os atores, as piadas, a qualidade, a ingenuidade... Enfim tudo contribui para a diversão, é como voltar a ser criança, pode ver, tenho 20 anos e até hoje não perco um capítulo.
A produção entrou em contato com você? Como aconteceu?
Uns 15 dias depois que eu mandei o e-mail, a produção do SBT veio aqui em casa, sem câmeras, sem microfones, sem nada. Vieram me procurar e me fizeram uma série de questões sobre Chaves, do tipo: “Quem morreu?”, “O que fazem hoje quem está vivo?” e perguntas bobas do tipo. Eu como um fã além de respondê-las incrementava dando uma série de informações e datando uma série de acontecimentos sobre os seriados e sobre o elenco. Mostrei minha coleção de produtos CH que já tinha, eles deram uma olhada em tudo, fizeram algumas anotações e foram embora. Depois que saíram cheguei a comentar com meus irmãos: “Isso não vai dar em nada!”.
E como foi o grande dia? Você já sabia que havia ganhado o quarto?
No dia em que tudo aconteceu eu tinha prova de direito civil na faculdade, eu estava muito nervoso, mas de repente pouco antes de eu sair de casa o meu pai me deu a notícia de que minha avó estava mal e que eu tinha que levar ela no hospital para fazer uns exames. Meus pais são advogados e estavam compromissados, então eu tive que fazer isso e perder a prova. Quando eu estava tirando o carro da garagem de repente chegou os carros do SBT, começaram a descer com os cabos, as câmeras, os microfones, as luzes e tudo mais, eu nem me liguei na hora, a ficha demorou para cair. Eu não sabia de absolutamente nada, nem desconfiava, porém toda a minha família já sabia, fizeram surpresa para mim e mentiram que a vovó estava mal para que eu não fosse a faculdade (risos).

Como foram as entrevistas e o processo de montagem do quarto?
Eu tenho dois irmãos, o Henrique que tem 15 anos e o Guilherme que tem 11. Fizeram uma entrevista muito longa comigo e com meus irmãos, falamos sobre vários assuntos, inclusive mandei abraços e agradecimentos a alguns sites e pessoas do "Meio CH". Infelizmente a fama do SBT prevaleceu e eles exibiram apenas uns 5 minutos da entrevista, ou seja, cortaram muito mais do que a metade de tudo que havíamos falado. Sobre o quarto, eu e meus irmãos não vimos nada, nós fomos verdadeiramente trancafiados na casa da minha avó, e só saímos no final do dia quando o quarto estava pronto, alías falando em dia, o processo de montagem durou um dia, e não dois dias como foi posto na matéria exibida pelo SBT.
O que você achou do resultado final? Valeu a pena? Como se sentiu na primeira noite dormindo no quarto?
Olha achei tudo muito legal. Meu irmão menor mal falava, ele achava tudo muito mágico. A primeira noite foi sensacional, nós ficávamos rindo muito, esperávamos a qualquer momento abrir a porta do 14 com a Dona Florinda brava, indo em direção ao 72 para bater no Seu Madruga (risos). Ficamos assim, eu voltei a ser criança, viajamos muito nos primeiros dias, mal conseguíamos dormir, riamos a noite toda, falávamos sobre o seriado e relembrávamos piadas e episódios, sem dúvida foi um dos acontecimentos mais marcantes de 2006 para a minha família.
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| As camas com as fronhas personalizadas ao estilo dos uniformes dos personagens, as camisetas que os irmãos ganharam e o seu novo quarda-roupas em formato de portas ao modelo da vila. | ||
E como foi a reação dos seus amigos e parentes? Eles aprovaram o quarto?
Nossa, o que eu recebi de amigos e amigas querendo ver o quarto do Chaves, foi incrível. Ele é o assunto aqui em casa, as pessoas quando vem aqui, tem que dar uma passadinha no meu quarto. Estou perdendo a minha privacidade (risos). No colégio do meu irmão do meio foi sensacional, ele teve seus 15 minutos de fama, virou popular, toda a escola comentava sobre ele. Resumindo para mim foi como um dia de princesa, tipo o programa do Netinho de Paula (risos).
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Entrevista realizada em: 17/07/06
Reportagem e Edição: Mauricio Trilha