"As pessoas boas devem amar os seus inimigos", Seu Madruga
ESPECIAL - ENTREVISTAS

Rubén Aguirre na Argentina

Sábado, 28 de Maio de 2005

O programa de maior sucesso da televisão mexicana está no ar há 35 anos, apesar de não ser gravado há mais de uma década. O ator que deu vida ao altíssimo Professor Girafales visitará Paraná – cidade Argentina - no sábado, 4 de junho, para despedir-se. Antes, conversou com a equipe de “El Diario”:

 
  Rubéns: "Sigo trabalhando para me sentir útil"

- O que significa para você o Professor Girafales?
Tudo. Porque as pessoas não me chamam pelo meu nome, sabem quem sou graças ao personagem. Neste momento reencontro com a Argentina, inclusive, estou surpreso com a reação das pessoas. Não esperava essa reação. Felizmente, me dou conta de que fizemos algo agradável. Que não foi em vão os 30 e tantos anos trancados em um estúdio, estudando o roteiro, revisando e corrigindo.

- E desfrutando também...
Logicamente. Para começar, porque nos deu de comer. E, ainda, houve muito reconhecimento em todo o mundo. São coisas que nos enchem de orgulho e nos sobem a auto-estima.

- Na sua opinião, qual foi o mérito da série “Chaves”?
Foram vários. Primeiramente, o talento de Roberto Bolaños por ter criado estes personagens em roteiros tão específicos que fizeram com que a gente os criassem. E isso que éramos um grupo muito heterogêneo e incomum. Éramos adultos muito distintos: um muito alto, outro muito baixo, um muito gordo, um muito fraco, todos fizeram a caricatura de uma criança, um professor, uma vizinha. Ninguém, nem sequer as criança, acreditaram alguma vez que se tratava de crianças de verdade. E, no entanto, aplaudiram e riram com eles.

- E ocorreu em todo o mundo...
Em 84 países o Chaves foi um sucesso, inclusive na Rússia, Coréia, África do Norte, Árabe e Argentina.

- Impressionante é que siga sendo exibido os mesmos capítulos de sempre, e com o mesmo êxito...
Com as crianças esse é um fenômeno quase natural. Antes do Chaves, viam um desenho qualquer e sabiam o que ia acontecer e se divertiam uma ou outra vez com o mesmo...Ocorre também hoje.

- As crianças de ontem são diferentes das de hoje?
Creio que não. O programa foi criado há 35 anos. Quando os meus filhos eram crianças, eles se divertiam muito com a série. Hoje, vejo os meus netos e ocorre o mesmo. Porém, há que reconhecer que o Chaves não foi um programa feito para o público infantil e, sim, para a família toda. Nunca trabalhamos para o público infantil exclusivamente.

- O grupo de atores era muito grande. Vocês brigavam muito?
Nos dávamos bem, senão não teríamos agüentado tanto tempo. Porém, haviam muitas discussões. Se nas famílias há confusões, em um grupo de trabalho...são inevitáveis. Mas, como ocorre com os irmãos que brigam e depois se reconciliam, passou muitas vezes com os integrantes do seriado Chaves. São memoráveis as brigas entre Quico e Seu Madruga. Mas, pouco tempo depois, estavam tomando uma cerveja juntos...

- Vocês seguem se vendo? Há contato?
Com o Seu Madruga não, porque morreu e é feio falar com os mortos. E o resto está espalhado pelo mundo. Quico vive aqui, na Argentina; Chiquinha na Florida e Roberto vive viajando pelo mundo. O único que vejo com certe freqüência é Edgar Vivar, o Sr. Barriga, que, casualmente, agora está na Argentina.

- Já foi cogitada a idéia de voltar a juntar os integrantes do programa?
Jamais. Roberto foi muito claro quando decidiu terminar com o programa. Nos explicou que não era bom mostrar uma imagem distorcida do que fomos. Eu estou gordo e cansado; o mesmo Roberto engordou; Quico já não é mais o mesmo de antes. Para que, então, mostrar está imagem lastimável, se o melhor é que as pessoas se recordem do que fomos? Terminamos o programa quando ainda estávamos inteiros.

- Por que o senhor segue trabalhando, então?
Porque nunca pude deixar de fazê-lo, desde que comecei aos 13 anos. Trabalhar é por demais gratificante. A mim, particularmente, me ajuda muito o reconhecimento das pessoas, porém o melhor é pensar que estou sendo útil, apesar do passar dos anos. Não há melhor coisa do que a morte te surpreenda estando vivo, se está quase morto não tem graça...

Texto Original: Cristian Bello
Fonte: El Diario de Paraná
Entrevista realizada em: 25/05/05
Tradução e Adaptação: Evandro